quarta-feira, 11 de março de 2026

Numa panela só

Eu sou fã de pratos que sujam uma única panela, eles facilitam demais a vida de qualquer pessoa. Minha comida rápida favorita é cuscuz marroquino, não leva 15min entre começar a picar a cebola e servir a comida no prato.
Nesse caso eu já tinha cogumelos Portobello cortados e congelados, facilitou ainda mais.

Cuscuz com o que tiver
As duas linguiças fininhas que sobraram do dia da sopa de abóbora
1 cebola picada
1 cenoura ralada
1/2 bandeja de cogumelo Portobello fatiado
1 xícara (chá) de cuscuz de semolina (cuscuz marroquino)
Pimenta calabresa e salsinha a gosto
- refogue a cebola com a linguiça picada até dourar e junte o cuscuz, dê uma mexida pra agregar sabor e dar uma "tostada" no cuscuz. Acrescente a cenoura, misture bem e junte 1 1/2 xícara de água. Tampe e desliguei o fogo. Em cinco minutos destampe e solte o cuscuz com auxílio de um garfo. Ajuste o sal, junte a pimenta calabresa e a salsinha picada, mistura bem.

No prato espalhe um fio de azeite e suco de limão, caso goste (eu não gosto, mas Teu ama).

Conquista, 04/02/2026
Daíse

Uma sopinha pra aquecer o dia!

Euns dias atrás, em pleno verão, Conquista invernou, e se o clima vira, vai ter sopinha no almoço. Aqui é muito comum encontrar abóbora descascada e picada na feira e nos mercados, então eu sempre tenho um saquinho no congelador. 

É nossa sopa favorita, minha e de Teu.

Sopa de abóbora, linguiça e leite de coco
Um saquinho de abóbora descascada e pipoca
2 linguiças fininhas
1 cebola picada
Pimenta calabresa e leite de coco a gosto
- refogue a linguiça e a cebola juntas, até dourar. Aqui vc pode retirar toda a linguiça ou parte dela e reservar, ou deixar aí mesmo. Junte a abóbora, refogue e cubra com bastante água, deixe cozinhar até desmanchar. Bata tudo com um processador ou liquidificador. Volte pra panela, acerte o sal, acrescente a pimenta calabresa, deixe reduzir até ficar na sua consistência favorita. Sirva em pratos fundos ou cumbucas, se tiver reservado as linguiças, pode misturar antes de servir. No prato/cumbuca você espalha o leite de coco com auxílio de uma colher de sopa, e um tanto de azeite também.

Pronto, é só ser feliz.

Conquista, em algum momento entre fevereiro e março
Daíse

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Desde sempre

Minhas lembranças ligadas à cozinha são muito, muito antigas, das torradas sempre disponíveis e do queijo fresco tostado na boca do fogão, na casa dos meus avós, e do cheiro do pão fresco que meu pai fazia quando dava na telha. Mas a minha primeira vez, com autonomia e deslumbramento, foi fazendo um apfelstrudel, muita ousadia pra uma menina de doze anos. 

Massa aberta até ficar transparente, recheada com maçã e uva-passa, a tarde toda assando em forno bem baixo, regada com leite. Família toda comeu, tios, mãe, primos, meu pai amou. Eu D E T E S T E I.

Depois disso passei a pisar em terreno conhecido e evoluir aos poucos, copiando receitas do rádio, do programa da Cidinha Campos, ou da Rádio Globo, nos programas femininos  na Record, Band ou TVE, uma vida inteira colecionando receitas.

A de hoje veio de um livro de receitas da minha tia Marlene. Ela morava na casa da frente e tinha umas coleções incríveis. Esse tem um nome simples: bolo de dois ovos.

Deve ter ele por aqui, e eu devo estar me repetindo, mas (como pessoa com TDAH que sou) me dou esse direito. A receita base é de um bolo de trigo, simples, pra comer no café da tarde, mas hoje eu dei uma variada porque Teu pediu um bolo de chocolate. Acabei fazendo um bolo mesclado e ficou bem gostoso, como era de se esperar.

Bolo de dois ovos
3 colheres (sopa) manteiga/margarina/azeite
1 xícara (chá) açúcar 
2 ovos
1 xícara (chá) leite
1 1/2 xícara (chá) farinha de trigo
1/2 xícara (chá) chocolate em pó 50%
1 colher (sopa) fermento em pó
1 colher (chá) baunilha 

   - Peneirei a farinha e o fermento e reserve. Misturei bem a manteiga com açúcar até ficar um creme claro; misturei os ovos um a um, batendo bem. Acrescentei o leite e, em seguida, a farinha e o fermento reservados. Coloquei metade da massa numa assadeira untada e enfarinhada. Misturei o chocolate à massa restante e disponha sobre a massa na assadeira. Leve ao forno médio, pré-aquecido, até o palito de dentes sair limpo.

Servi morno, com um suquinho de caju e deixei meu menininho feliz.


P.S.: a primeira publicação eu fiz direto do celular e as funcionalidades são limitadas, então editei pra incluir a música do momento. I'll believe in anything de banda Wolf Parade, grudada na minha mente já faz uns dias.


Vitória da Conquista, 23/02/26
Daíse



quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Que jornada... e um risotinho de shimeji

 A vida nunca é o que parece ser, e que jornada tivemos até aqui. Foram treze anos desde a última postagem. Eu jurava que tinha publicado que estava grávida, mas, aparentemente, não publiquei.

Um resumo rápido: descobri estar grávida em abril/13, Mateus nasceu em novembro/13, entendi rápido que o casamento tinha acabado. Entretanto só verbalizei isso em nov/16, nos separamos em jul/2017, em jul/21 passei no doutorado em Ecologia na UFV/MG e nos mudamos pra lá, eu e Teu.

Virei doutora fazem 14 dias, e ao longo desse tempo eu mesma utilizei esse blog como a grande biblioteca de receitas afetivas que ele é. Ao longo do doutorado fiz muitas comidinhas, comi muita comida boa, trabalhei como uma formiga e com quase quatro mil delas. Não me arrependo de nada.

Mateus é um menino incrível, generoso, educado, cheio de amor. 

Todo dia eu pensava, preciso voltar pro blog, preciso voltar a escrever as coisas gostosas que faço e sobre o que penso. Não editei nada do que já foi publicado, então a história contada até aqui seguirá, sem apagamentos.

Aqui estou, totalmente outra pessoa, mas ainda assim eu mesma.

Vocês vão ver que não teremos mais pontos adicionados às receitas e que, muitas vezes, nem temos medidas. Mas as receitas seguem afetivas, saborosas e com fotos bonitas. Também vou adicionar um vídeo ao final com alguma música do álbum que estiver ouvindo enquanto escrevo por aqui.

Vamos começar com uma receitinha simples, de 2021? 

Risotinho de Shimeji

Pegue um punhado das suas castanhas favoritas. Aqui eu usei castanha-do-pará, caju, amêndoa e semente de girassol; piquei tudo grosseiramente, temperei com sal, páprica defumada e curry, e daí levei ao forno baixo pra "acordar" os sabores e dar uma crocância.

Enquanto as castanhas estavam no forno eu piquei uma bandeja de cogumelo shimeji, alho e cebola na quantidade que te fizer feliz, daí refoguei tudo no azeite até a cebola ficar transparente e começar a dourar. Nessa altura já rola desligar o forno e deixar as castanhas esfriando na bancada da pia. Acrescentei o arroz ao refogado de shimeji e fiz o procedimento básico pra risoto, vocês já tem aqui em algum lugar. Usei caldo de vegetais que estava congelado pra isso. 

O ideal é ficar al dente mas cremoso. Desligue o fogo e junte toda salsinha picada que você puder e sirva na sequência. Quando já estiver no seu prato espalhe as castanhas assadas por cima. Eu juro que fica incrível e muito bonito. 


Pronto, recomeçamos. Não prometo receitas diárias, mas prometo estar aqui toda semana. Obrigada por, mesmo nessa ausência prolongada, seguirem usando esse imenso caderno de receitas que eu deixei por aqui. Nos vemos em breve.

O álbum de hoje foi o Gary (Deluxe) da banda Blossons, a música do vídeo foi escolhida pela energia (o álbum todo é assim), mas a letra combina com a postagem e comigo.  

Daíse Cardoso - Vitória da Conquista, BA, 18/02/2026